Segunda-feira, Novembro 06, 2006

"Quando a criança aponta para o céu, o idiota olha para o dedo..."

O humor é aprendizado como qualquer coisa na vida e talvez a única, ironicamente, que tenho levado a sério desde que me dei conta do sorriso. O senso de humor atrofiado só faz crescer a ignorância e o desconsolo dos que ainda se contentam em dar risada assistindo televisão. Vejamos porquê...
Clique.
Clique. Pessoas da igreja Universal testemunhando. Um testemunho em particular me chama a atenção: depois do indivíduo começar a fazer a corrente foi aprovado em um concurso público. Depois de entrar, recebeu dois aumentos de salário, e mais dois estão agendados.
Clique. Clique. O padre Marcelo Rossi está rezando o terço e repete incansavelmente "Obrigado, Senhor". Lá pela 10ª repetição, eu resolvo trocar de canal.
Clique. Novela das 8.
Clique, clique, clique. Um pastor está na TV Genêsis pregando contra a Trindade.
Clique. Algum Filme sobre paixão de adolescentes.
Clique. Reprise do Lula discursando quando recebeu a notícia que foi reeleito.
Clique. O Marcelo Rossi está no seu tricentésimo "Obrigado, Senhor".
Clique, clique. Um show de sei lá quem . Roupas engraçadas e cabelos anos 70.
Clique, clique. Lagoa Azul.
Clique. Canal Infantil com apresentadoras peitudas e semi-nuas.
Clique. Uma igreja chamando o povo a ser "parceiro de Deus". Mais gente dando testemunho de bênçãos financeiras.
Clique. O padre Marcelo Rossi deve ter batido algum recorde de "Obrigado, Senhor".
Clique. Clique. Agora, no botão power.

E assim continua.. Afinal a ignorância popular é vital para aqueles que estão no poder!

Terça-feira, Outubro 31, 2006

Recompensa por aquilo que se faz...

Bruno é o nome dele. Com seus cabelos cor de chocolate e seus olhos tão verdes que às vezes me perco olhando para eles. No nosso primeiro encontro ele estava tímido e não soltava sua amiga que tinha um chapéu esquisito. Mas tudo bem, eu sempre estava lá de qualquer maneira. "Força Bruno, Força! Você consegue, segura minha mão!". Mas era só soltar o danado por 2 segundos que ele já estava agarrado com a Fifi - esse era o nome da chapéu esquisito!- enchendo ela de beijos! Estava começando a ficar com ciúmes já. Onde já se viu isso?! Mas foi então que depois de 2 meses - e eu nunca vou me esquecer -, depois de muitos "Força, você consegue.", ele soltou sua ursa Fifi de chapéu esquisito, se levantou sozinho e deu seu primeiro passo na minha direção. Bruno teve paralisia cerebral quando nasceu, estava com 8 anos e eu estava ensinando ele a andar novamente. Não se se foi no momento em que ele se desequilibrou e segurou minha mão , ou quando ele me deu um beijo depois que eu o segurei para que não caísse no chão que o meu mundo parou! Me dei conta da importância da minha profissão. Desde então nunca mais tive ciúmes das chapéus-esquisitos que apareceram na minha vida.

Segunda-feira, Outubro 30, 2006

Luto pelo Brasil.

Ela nunca soube ao certo o porque de estar aqui nesse mundo sem pé, nem cabeça. Ela preferiria fazer parte de um mundo assim de faz-de-conta, sabe? A ignorância das pessoas funcionava como um ácido correndo em suas veias. Doia de ver, de sentir, de saber... Às vezes em tentativa de ignorar isso ela se fazia de quase-autista. Só ela e seu amor próprio. Era mais fácil conviver assim do que no meio dessa sociedade corrompida. Era assim como andar no escuro, nunca sabia o que ia encontrar pela frente. Cansada, frustrada e decepcionada ela decidiu ser a exceção e agora vai caminhar em direção ao sol.. assim as suas sombras sempre ficarão para trás.

Sexta-feira, Outubro 27, 2006

"A vida é um interminável ensaio de uma peça que nunca se realizará."

Viver é esperar. Esperar sem a menor previsão de quando, onde, como e porquê. Esperar cansa! Não que eu esteja com pressa, não é isso! Imagina! O problema é que tenho uma série de coisas a fazer e nunca sei se terei tempo ou se serei pega de surpresa deixando tudo inacabado. Diante da dúvida, prefiro sentar e esperar mesmo. Maldita espera! Alguém disse uma vez que o inferno são os outros mas eu me atrevo a discordar dele.
O inferno é essa espera indeterminada. Se temos que morrer, que seja feito logo. Se a sina é viver, que nos façam imortais, ora essa. Só não nos deixem nessa expectativa inglória. A vida é uma enorme sala de espera e cada um tenta se distrair como pode. Ei, você, por favor, me passa essa revista?

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

"São meus filhos que tomam conta de mim...."

Duas amigas se encontram depois de alguns anos e começam a jogar conversa fora, depois de algum tempo surge o assunto:

-Nossa amiga, mas estou com saudades mesmo é do meu filhote! Voltei para o RJ para trabalhar e ele ficou em SP!
-
Ah mas assim é a vida! A gente às vezes precisa se separar de quem a gente ama.. mas depois fica junto de novo!
-
Mas sinto tanta falta de quando eu chegava em casa e ele vinha me receber com toda alegria do mundo! Ele é tão carinhoso!
-
Ah mas isso é raro hoje em dia né..
-
E quando eu ficava triste ele sempre estava do meu lado!
-
Ai que amor! Mas me diga e quando você se casou?
-
Casar? Eu não me casei! Acho que ainda não encontrei a minha outra metade da laranja!
-
Mas e seu filho está com quem?
-
Com a minha mãe oras!
-
Ah.. e ela não se importa?
-
Não! Ela adora! Sempre gostou...
-
Mas se está com saudades então porque não liga pra ele?
-
Como assim liga pra ele? Ele quem?
-
Ué.. pro seu filho.. ele é tão pequeno ainda que não fala no telefone?
-
Não, ele já tem 4 anos.. mas eu tô falando do Boris! Meu labrador!

- "..."

Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.. Ou não...

Terça-feira, Outubro 24, 2006

" ...Tempos difíceis para os sonhadores... "

Quando se fala de amor uma coisa é certa: O pé-no-chão precisa existir SEMPRE... por que senão as pessoas voam... e esquecem que tudo que sobe desce!
Promessas passionais, não existem, afinal não há garantia do futuro e como dizer “Vamos ficar juntos pra sempre!” se isso é uma coisa que não depende só de uma pessoa?! Às vezes a banalização do amor dá nó no estômago dela! “Meu anjo, meu amor é o maior do mundo!” E dá pra dizer quanto é pra sempre? Dá pra saber? Dá pra medir o amor? Opa! Da próxima vez no mercado então ela poderia pedir:
-
Moço, me vê quatro metros de amor pra sempre?
-
Ah você só tem três? Tudo bem pode ser... Mas não embrulha que eu quero usar ele agora mesmo!
Depois de tantas decepções, depois de três tubos de super bonder para colar os pedaços em que seu coração se dividiu, ela ainda não aprendeu que o amor entre homem e mulher não é incondicional, que depende das duas partes pra dar certo. E quando ela encontrar o homem que a faça ficar com os pés no chão, que não faça promessas e que ensine que 1 pessoa + 1 pessoa = 2 pessoas e não 1+1=1, ela no meio de seus gritos de raiva dizendo a ele “ Não te quero mais”, não consiguirá ouvir ele dizendo: “ Eu te amo demais!! ”.

Sábado, Outubro 21, 2006

“...Hoje contei pras paredes, coisas do meu coração...”

Já é quase uma hora da manhã. Ela acorda com a vontade de ouvir uma só voz, aquela que lhe acalme a saudade que pulsa do lado esquerdo de seu peito. Liga o abajur ao lado de sua cama, pega o celular dentro de sua bolsa que está ali jogada na mesa do seu quarto. Corre sua lista telefônica até a letra do nome de quem tanto anseia ouvir. Pronto achou! Pega seu telefone sem fio e começa a discar os números. Um por um, com as mãos meio trêmulas ao pensar se ele também sente tanta saudade. Afinal já fazia tempo desde a última vez que ele ligou e discutiram sobre as coisas mais corriqueiras da vida. Ao chegar no último número ela exita por um momento e então... desliga. Olha para os lados como se alguém soubesse seus medos. Respira, checa o número novamente e então começa a discar. Dessa vez não foi preciso chegar ao último número, já no terceiro ela desliga e pensa que ele provavelmente já esqueceu dela, que é melhor não arriscar. Ela então coloca seu celular ao lado da cama, como em uma esperança de tocar, e claro com ele do outro lado da linha. Desliga o abajur, deita, ajeita suas cobertas e fica olhando para o teto no escuro pensando em tudo aquilo que ela precisava falar para ele. Em outra cama ele pensa nela. Olhando para o teto também a espera de uma ligação. Afinal se ele ligasse de novo talvez ela pensasse que ele estaria “grudado” demais. Ele nunca entendeu as mulheres. Se ele demonstra demais que gosta de uma delas ele é muito “meloso”, se não demonstra é cachorro infiél! Vai entender... Homens. Mulheres. Desisto de entendê-los!
Não se arriscar é não viver. E viver é arriscar-se a morrer. Paradoxal não?
Entender o amor é como tentar acertar a previsão do tempo. É como tentar descobrir se vai chover ou não.
Ambos são inconstantes.
E quer saber... Se chover? deixa molhar.